Novo endereço artístico é inaugurado no centro de São Paulo

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Mostra Para Falar de Amor realiza segunda edição e ocupa o novo Espaço Kura com 27 instalações da arte de rua até 07 de junho

A segunda edição da mostra Para Falar de Amor reúne 27 ocupações da arte de rua e inaugura o novo endereço do Espaço Kura: o Edifício Cotonifício, localizado no centro de São Paulo. Com curadoria de Saulo di Tarso e Kauê Fuoco, o projeto transforma o local em um lugar de criação e propõe uma experiência que articula produção, exposição e convivência.

A exposição mantém seu caráter independente, sem fins lucrativos e sem patrocínio, consolidando um modelo de ocupação artística baseado na colaboração. Instalado em um edifício em processo de transformação, o projeto permite que ateliês, instalações e intervenções coexistam com o público. “A ideia nasce da ocupação como gesto criativo, ou seja, trabalhar dentro das condições existentes, sem a estrutura convencional de galeria, criando um ambiente de troca e de liberdade”, afirma Saulo di Tarso.

A nova edição é um desdobramento da anterior. Inicialmente concebida como uma ocupação voltada exclusivamente à street art, a proposta evoluiu ao longo do processo curatorial. “Eu havia proposto uma mostra chamada Do que somos capazes, enquanto outro eixo se chamava ‘Abraça’. Em determinado momento, percebemos que tudo isso já estava contido em ‘Para falar de amor’. E essa convergência deu origem ao projeto atual”, explica o curador. A exposição baseia-se na pergunta central: Do que somos capazes?, entendida como uma provocação aberta à criação artística e à experiência coletiva.

Diferente da primeira edição, marcada por um ambiente de silêncio e introspecção, esta nova fase propõe uma ativação mais direta do espaço e das vozes. “Se antes havia uma busca pelo silêncio necessário à arte, agora há um movimento de ativação. O que somos capazes de fazer com a nossa própria arte? Essa é a pergunta que orienta a curadoria”, afirma Saulo. Segundo ele, a mostra também responde a um contexto mais amplo, marcado por tensões sociais e pela necessidade de reconstrução de vínculos: “Estamos em um momento em que tudo precisa de abraço. A arte tem essa capacidade de ressignificar vidas e espaços”.

Edifício simbólico e artistas

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O edifício escolhido carrega uma forte dimensão simbólica. Localizado em uma das regiões mais emblemáticas de São Paulo, o Cotonifício reúne camadas históricas que vão da atividade industrial ao uso como hotel, refletindo transformações urbanas e sociais. “É um espaço que evoca a memória de um centro pulsante, que já foi um dos mais importantes da cidade. O trabalho do Kura é justamente atuar nessa ressignificação”, destaca o curador.

A exposição reúne 27 ocupações artísticas com trabalhos desenvolvidos especialmente para o espaço, apresentando um recorte expressivo da arte urbana contemporânea. Participam desta edição nomes como Bruna Serifa, letrista e muralista que utiliza a potência das palavras em peças nas quais o lettering é protagonista; Haroldo Paranhos Neto, artista visual e arquiteto que atua em projetos multidisciplinares com murais e instalações site-specific; Alexandre Vianna, dedicado à fotografia expandida e experiências audiovisuais imersivas; e Felipe Yung (Flip), cuja trajetória transita entre o espaço público e o institucional, abrangendo muralismo, escultura e intervenções espaciais.

“O que vemos aqui é um conjunto de artistas que representam vozes muitas vezes invisibilizadas. A street art sempre foi isso: uma forma de dar visibilidade a populações e narrativas que não encontram espaço no circuito tradicional”, afirma Saulo.

A mostra propõe ainda um diálogo entre diferentes gerações da arte urbana latino-americana, com a participação especial de Jaime Prades, pioneiro da arte de rua em São Paulo. Sua presença estabelece um contraponto com a série fotográfica de Vivian Bera, realizada no Peru, na qual a artista registra manifestações populares ligadas à festa de Nossa Senhora do Carmo e à ocupação ancestral das ruas. As imagens de Vivian Bera ocupam o interior e o exterior do edifício, funcionando como fio condutor da narrativa expositiva, que conta também com encontros com o artista multimídia Guto Lacaz.

Um dos destaques do projeto é a Zona Neutra, uma área de experimentação contínua dentro do edifício. Sem intervenções pré-definidas, o ambiente será ativado ao longo da mostra por artistas convidados e pelo público, em um modelo de curadoria em processo. “É uma forma de devolver aos artistas a possibilidade de curar o próprio projeto. É uma mostra que não se fecha em si mesma”, explica o curador.

Autonomia para criação

Saulo di Tarso e Kauê Fuoco. Foto - Vivian Bera

Para Kauê Fuoco, idealizador do Kura e cocurador da mostra, a exposição reafirma a autonomia como motor da criação. “Acreditamos que é possível realizar uma exposição desse porte sem depender de incentivos externos. Existe um valor na execução direta, no fazer com as próprias mãos. O Kura nasce dessa ideia de independência”, afirma. O projeto também aponta para o futuro do espaço, que deve integrar residências artísticas, iniciativas culturais e novos usos urbanos. “É sobre construir junto com a cidade. O desenvolvimento do projeto acontece junto com o desenvolvimento do entorno”, finaliza.

Serviço
Exposição Para Falar de Amor - 2ª edição
Período de visitação - até 07 de junho
Horário - de sexta a domingo, das 13h às 19h
Local - Edifício Cotonifício
Endereço - Avenida São João, 354 - Centro - São Paulo
Ingressos - R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia
Venda de ingressos online Sympla (clique aqui)

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