Espetáculo Abjeto-Sujeito: Clarice Lispector por Denise Stoklos propõe encontro do teatro essencial com obra clariciana

Foto - Leekyung Kim

Denise Stoklos estreia no Sesc 24 de Maio espetáculo composto por textos de Clarice Lispector e canções interpretadas por Elis Regina, realizando o encontro cênico de três mulheres-criadoras de diferentes gerações, com direção de Elias Andreato e dramaturgismo de Welington Andrade. 
Com 16 apresentações em São Paulo, a temporada teatral acontece entre os dias 10 de março e 03 de abril

O teatro essencial de Denise Stoklos encontra a obra da escritora Clarice Lispector e da cantora Elis Regina em Abjeto-Sujeito: Clarice Lispector por Denise Stoklos, com estreia no dia 10 de março, quinta, às 20h, no teatro do Sesc 24 de Maio. A temporada foi adiada em 2020 por conta da pandemia. O espetáculo tem dramaturgismo de Welington Andrade e direção de Elias Andreato. Em cena, Denise performa diversos textos de Lispector, como os contos A quinta história e O ovo e a galinha; os romances Água viva e A paixão segundo G.H. e a crônica Vergonha de viver.

O espetáculo surge em um momento da carreira de Denise em que ela se declara pronta para levar Clarice Lispector ao palco. “A ideia não é representar nenhuma personagem, mas sim reapresentá-las, trazendo uma ideia cênica a partir das questões levantadas por Clarice Lispector, para que o público também possa ter contato com seus temas”, conta a atriz.

Os textos foram selecionados pelo dramaturgista Welington Andrade, a partir da ideia que resulta no título do espetáculo. “São textos que fazem o percurso do que é abjeto, isto é, o que literalmente nega o sujeito, até a constituição da subjetividade, propriamente. Trata-se de uma transição, de um percurso, de uma coisa levando a outra. Essas relações podem ser observadas em diversos textos de Clarice, como nas interações das personagens G.H com uma barata - algo repulsivo porque abjeto - e aquela do conto O búfalo, que se identifica com o animal a ponto de odiá-lo”, conta Welington.

Além da “reapresentação” de personagens de Clarice, a cena também será constituída por canções na voz de Elis Regina - momentos que irão explorar coreografias criadas por Denise Stoklos. Para o espetáculo, “foram escolhidas faixas de uma Elis mais soturna e existencialista”, afirma Welington. Algumas das músicas selecionadas são Meio-Termo, Os Argonautas e uma versão à capela de Se Eu Quiser Falar com Deus.

Foto - Leekyung Kim

Denise tem se dedicado nos últimos anos a trabalhos que estabelecem interlocução com escritores, como Herman Melville, Franz Kafka, Julio Cortázar e Thomas Bernhard, procurando sempre por uma fusão da dramatização com o teatro essencial. “O resultado da peça é uma investigação radical a respeito de como o corpo, a voz e a emoção da intérprete expressam uma palavra literária empenhada em dizer o que a todo momento beira o indizível”, conclui Welington.

Um símbolo muito forte na obra clariciana, que o espetáculo explora do início ao fim, é o olho. Alusões à visão e metáforas do olhar se espraiam ao longo do trabalho. A narradora de A quinta história assiste diariamente, estupefata, ao cortejo das baratas; em A paixão segundo G.H., a visão da barata leva à epifania; em O ovo e a galinha, a narradora de manhã na cozinha “vê” o ovo - o que a convida a iniciar uma longa viagem por meio da linguagem; em O búfalo, a personagem busca insistentemente o olhar do animal, tendo seu olhar, por fim, penetrado por ele; em Amor, a epifania se dá porque Ana vê um cego. Em certos momentos a visão chega até mesmo a rivalizar com a linguagem falada.

Leitora dedicada de Clarice Lispector desde os 17 anos, Denise Stoklos contribuía, no final da década de 1960, para o jornal do diretório acadêmico da Faculdade de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, onde estudava. Grande admiradora da escritora, foi ao Rio de Janeiro, descobriu o endereço de Clarice na lista telefônica e ligou para ela de um telefone público, embaixo do prédio. A própria Clarice atendeu a jovem universitária, que lhe pedia uma entrevista e mandou que Denise subisse.

Feitas as primeiras perguntas, Clarice disparou: “você não veio me entrevistar, você veio me conhecer, não é? Então, deixe de lado a caneta e o bloco de anotações e vamos conversar.” Do encontro, Denise guardou para sempre a imagem daquela mulher fascinante - ucraniana, assim como ela. Cerca de uma década depois, quando ouviu - na derradeira entrevista concedida à TV Cultura - a escritora dizer que jovens leitoras compreendiam melhor sua obra do que os especialistas. Denise se sentiu naturalmente incluída na referência.

Sinopse

Foto - Leekyung Kim

Muitos anos após declinar o convite do diretor Fauzi Arap (1938-2013) para criar um espetáculo com textos de Clarice Lispector (1920-1977), a atriz e diretora Denise Stoklos promove o encontro do teatro essencial com a obra clariciana. O resultado é uma investigação radical a respeito de como o corpo, a voz e a emoção da intérprete expressam uma palavra literária empenhada em dizer o que a todo momento beira o indizível. Canções de Elis Regina pontuam de tempos em tempos o percurso que vai da negação à constituição do sujeito.

Ficha técnica
Abjeto-Sujeito: Clarice Lispector por Denise Stoklos
Concepção e Interpretação - Denise Stoklos
Direção - Elias Andreato
Dramaturgismo - Welington Andrade
Textos - Clarice Lispector
Canções - Elis Regina
Iluminação - Aline Santini
Espaço Cênico e Figurino - Thais Stoklos Kignel
Fotos - Leekyung Kim
Assistente de Direção - Cristina Longo
Segundo Assistente - Wallace Dutra
Cabelo - Eron Araújo
Operação de Luz - Maurício Shirakawa
Operação de Som - Vanessa Matos
Diretor de Produção - Ederson Miranda
Assistente de Produção - Sofia Gonzalez
Segundo Assistente - Alexandre Vasconcelos
Produção Geral - Mira Produções Culturais

Serviço
Abjeto-Sujeito: Clarice Lispector por Denise Stoklos
Temporada - de 10 de março a 03 de abril
Horário - quinta a sábado, às 20h e domingos, às 18h
Duração - 75 minutos
Local - Sesc 24 de Maio
Endereço - Rua 24 de maio, 109 - Centro - São Paulo (350 mts do Metrô República)
Ingressos - R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (credencial Sesc, meia-entrada: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência)
Ingressos à venda a partir de 08 de março, às 14h, no portal aqui e 09 de março, às 17h, nas bilheterias da rede Sesc SP.
*Obrigatório uso de máscara e apresentação de comprovante de vacinação contra Covid-19 (físico ou digital), evidenciando as duas doses, ou dose única
Classificação - 14 anos

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