Ator e diretor Luiz Damasceno comemora seus primeiros 80 anos com peça e exposição


Giovani Tozi e Luiz Damasceno em Só Ópera. Foto - Ronaldo Gutierrez

O espetáculo Só Ópera, que estreia dia 10 de setembro, é r
esultado de pesquisa sobre humor radiofônico e contou com a presença da diretora e pesquisadora Neyde Veneziano. A montagem tem texto e direção de Giovani Tozi. Já a exposição O Sopro reúne 70 obras do artista

Novas mídias e redes sociais cada vez mais modernas evidenciam o conflito de gerações, no campo profissional. É o caso de dois radialistas que lutam, cada um à sua maneira, para salvar um tradicional programa de ópera. Inspirado pelo humor radiofônico, Só Opera revisa os clássicos do gênero, como A Flauta Mágica e Carmen, e pela via da paródia, lança um outro olhar sobre o herói. Gravado com três câmeras no Teatro João Caetano, o espetáculo de 70 minutos de duração estreia dia 10 de setembro para temporada online de sexta a domingo.

A ação de passa nos dias atuais, no estúdio de uma emissora. Em cena os atores Luiz Damasceno e Giovani Tozi encarnam dois radialistas, apresentadores de um programa de rádio sobre ópera, respectivamente, o veterano e respeitado Luiz Pavarinni e o novato recém-formado Enzo Valentim.

Entre um e outro número musical, os personagens dramatizam, em diálogos fictícios, paródias de óperas, entre elas Macbeth (de Verdi, baseada na peça homônima de Shakespeare), A Flauta Mágica (de Mozart), Carmen (de Georges Bizet, baseada na romance homônimo de Prosper Mérimée), Romeu e Julieta (de Charles Gounod, baseada na obra de Shakespeare) e Arca de Noé (de Benjamin Britten).

Só Opera estreia em 2021 como uma das comemorações dos 80 anos de Luiz Damasceno. O ator e diretor, responsável por dezenas de atores através da EAD, onde foi professor por mais de 25 anos, tem uma longa parceria com Giovani Tozi. A dupla trabalhou junto pela primeira vez em 2009, em “O Colecionador de Crepúsculos”, de Vladimir Capella, quando Giovani Tozi foi contemplado pelo Prêmio Coca-Cola ao interpretar o filho caipira de Damasceno. Eram contos de Câmara Cascudo e o elenco contava também com Selma Egrei.

Giovani Tozi e Luiz Damasceno em Só Ópera. Foto - Ronaldo Gutierrez

O espetáculo se apoia no rádio, para desenrolar uma história sobre progresso e inovação. Contudo, o veículo "rádio" figura como um elemento sintético, de todos os demais canais de comunicação, seja ele do terreno do entretenimento, como a televisão, seja no campo das artes, como o próprio teatro. Refletir sobre tecnologia em áreas essencialmente humanas, gera uma série de controvérsias, afinal, em que medida algo que depende da interlocução entre duas pessoas pode sofrer uma interferência positiva da máquina? Responder qualquer questão relacionada a esse entrave pode ser precipitado, uma vez que a popularização e o acesso massivo do fenômeno digital tem raízes curtas. Só Opera propõe, portanto, que pensemos sobre esse movimento, e oferece a comédia, gênero mais popular dos palcos brasileiros, para que isso seja feito.

Giovani Tozi assina o texto e a direção, consolidando seu quarto trabalho na condução de espetáculos de teatro e dança, criados para o ambiente online, durante a pandemia. Seu último trabalho teatral, Não Se Mate, monólogo protagonizado por Leonardo Miggiorin, foi apontado pela crítica como uma das mais importantes estreias da temporada, com destaque para a dramaturgia de Tozi, pelo Observatório do Teatro, no Uol.

Ficha técnica
Só Ópera
Texto e Direção - Giovani Tozi
Elenco - Luiz Damasceno e Giovani Tozi
Luz - André Lemes
Diretor de Vídeo - Matheus Luz
Fotografia - Ronaldo Gutierrez
Edição - João Martinez
Produção - Bruno Tozi
Assessoria de Imprensa - Maria Fernanda Teixeira e Macida Joachim | Arteplural
Administração - Carlos Gustavo Poggio
Contadora - Andressa Cherione
Realização - Tozi Produções Artísticas

Serviço
Só Ópera
Duração - 70 minutos
Classificação - 12 anos

Teatro Arthur Azevedo
Data - 10, 11 e 12 de setembro
Horário - sexta e sábado às 21h e domingo às 19h.
Ingresso gratuito (evento online)

Teatro João Caetano
Data - 17, 18 e 19 de setembro
Horário - sexta e sábado às 21h e domingo às 19h.
Ingresso gratuito (evento online)

Exposição online O Sopro reúne parte dos 70 quadros produzidos na pandemia

O gaúcho Luiz Damasceno comemora seus 80 anos revelando a segunda grande paixão de sua vida com a exposição O Sopro, a partir de 24 de setembro, com visitação virtual pelo Espaço Cultural Bricabraque online.

Desde garoto o ator e diretor gosta de pintar. Um dia chegou em casa e disse: "olha me inscrevi na escolinha de arte". O garoto desenvolto devia ter uns nove anos, procurou a professora e falou que queria participar. “Olhei pelas janelas e vi todo mundo brincando, pensei ‘que mundo maravilhoso é esse’. E nunca parei de pintar. Sempre que tinha um tempo disponível eu pintava”.

Gaúcho de Porto Alegre, quando chegou em São Paulo, em 1971, aos vinte e poucos anos precisou escolher entre pintar e fazer teatro. Ficou com o segundo. “Sem pintura eu sobrevivo, sem teatro não.” A escolha não freou sua produção e a pintura seguiu como hobby até que veio a pandemia e Damasceno produziu 70 quadros em acrílico sobre tela. “Foi enlouquecedor. Tem muito material. A mostra vai exibir alguns”.

O Sopro ganhou este título, conferido pelo ator e diretor Giovani Tozi, responsável pela produção da exposição, pela própria técnica desenvolvida pelo artista. Pincel em punho, Luiz Damasceno começa o processo por manchar a tela, aleatoriamente, com tinta acrílica bem aguada. A partir do que a imagem lhe sugere, ele segue sua inspiração. “Não gosto de formas realistas, proporcionais, prefiro figuras fantásticas”.

Alegres em sua maioria, devido à escolha das cores, os quadros exibidos nesta mostra online seguem o recorte temático As Mulheres. Alguns trazem figuras de animais (“pequenos ou não, eles estão lá”) e tem também o tema circo (“eu achava mágico ir ao circo”).

A Mulher de Luva Laranja, A Velha Senhora, O Caminho de Casa, Passeio no Parque Público, Que horas são?, Retrato de Josephine Baker, A Lagarta, Folhetim e Ensaio Geral são algumas das obras.

Ficha técnica
Exposição O Sopro
Obras - Luiz Damasceno
Direção e Concepção Geral - Giovani Tozi
Performance - Louise Helène
Direção de Áudio Visual - Matheus Luz
Trilha Sonora - Invisible | NTO
Produção - Bruno Tozi
Administração - Carlos Gustavo Poggio
Idealização - Giovani Tozi
Assessoria de Imprensa - Maria Fernanda Teixeira | Arte Plural

Serviço
Exposição O Sopro
Estreia - 24 de setembro - sexta-feira
Horário - 20h
Local - Espaço Cultural Bricabraque online
Acesso aqui (após o lançamento o conteúdo ficará liberado para a visitação)
Grátis

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