Quarta Revolução Industrial ganha exposição na Avenida Paulista

Carla Caffé trabalha numa espécie de timeline com olhar feminino
Imagem - Divulgação
Com ilustrações de Carla Caffé e Guto Lacaz a exposição à sua quarta edição e fica até o dia 09 de junho na Paulista

Voltada para o futuro, a maior exposição ao ar livre da América Latina e entre as maiores do mundo ocupará um quilômetro da ciclovia da principal via de Sampa. Desde a esquina da Rua Augusta, estendendo-se até a Alameda Campinas, a mostra traz ilustrações inéditas e de produção exclusiva dos artistas Carla Caffé e Guto Lacaz em 30 painéis de 12 m². A ilustração é a grande novidade na curadoria artística da DOC Galeria, de Monica Maia e Fernando Costa Netto, após três edições apresentando fotografias. 

“Com esta exposição, a UGT quer mostrar que tem um futuro chegando, que pode ser bom ou não para o trabalhador. A linguagem que optamos em 2018 não foi a fotografia, mas o desenho, a arte de dois grandes artistas brasileiros”, diz o presidente Ricardo Patah. 

A primeira grande Exposição de Maio na Paulista, aconteceu em 2015 e teve como tema os “30 Anos de Redemocratização do Brasil”; a segunda,em 2016, celebrou os “100 Anos do Samba”; a terceira, realizada em parceria com o PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a OIT – Organização Internacional do Trabalho, apresentou os “17 Objetivos para Transformar o Mundo”, que podem mudar a cara do país, como a erradicação da pobreza, igualdade de gênero e educação de qualidade. Estas edições foram vistas por 15 milhões de pessoas entre 2015 e 2017 e aguarda-se um público de cerca de 5 milhões de visitantes únicos para 2018. 

“As ilustrações trazem reflexões sobre os processos históricos transformadores gerados nas três Revoluções Industriais e no momento atual”, diz André Guimarães, da Maná Produções, responsável pela instalação. 

O designer Guto Lacaz usa seu traço bem-humorado para descontruir imagens clássicas como a de Isaac Newton e a maçã ou O Pensador de Rodin. Já a ilustradora e artista gráfica Carla Caffé trabalha numa espécie de timeline com olhar feminino, a eterna submissão da mão-de-obra da mulher e sua participação no mercado de trabalho, desde a escravidão até os dias atuais. 

Imagem - Carla Caffé
Tema do mais recente Fórum Mundial em Davos, a Quarta Revolução mostra a tendência à automatização total das fábricas, com o intuito de levar a produção à absoluta independência da mão de obra humana, diferente das revoluções anteriores. Estima-se que 40% dos postos de trabalho perdidos não serão substituídos, mas simplesmente eliminados. Nos anos 70, a Inglaterra tinha 7 milhões de britânicos trabalhando na indústria, que representava 40% do PIB do país. Atualmente são apenas 2,3 milhões de britânicos nas fábricas e a indústria representa 10% do mesmo PIB. No entanto, de lá pra cá a riqueza da região aumentou quatro vezes. Cai o peso da produção industrial, aumenta em outros setores, como o de serviços. 

Era digital, computadores, internet
 Imagem - Guto Lacaz
A Quarta Revolução é uma nova fase da revolução tecnológica que já vem transformando a forma como trabalhamos. Em sua escala, alcance e complexidade, é um movimento diferente de qualquer outro que o ser humano tenha experimentado anteriormente, com consequências catastróficas. 

Ao mesmo tempo em que representa avanços reais, aumenta o desemprego, a pobreza, a desigualdade na distribuição de renda e todo tipo de perplexidade que essa tríade é capaz de produzir, como violência nos grandes centros e insegurança geopolítica. Ou se reinventa, como já estão pensando os magnatas da internet, Mark Zuckerberg e Bill Gates, que propõem a governos a criação de uma renda básica universal para todos os cidadãos, acreditando que o emprego como o concebemos hoje deixará de existir. 

A sociedade e os trabalhadores têm que priorizar essa nova relação entre pessoas e robôs, nos dilemas éticos e sociais. Essa é a discussão que a União Geral dos Trabalhadores traz para a Avenida Paulista em maio de 2018. Não é um evento que propriamente comemora o Dia do Trabalho, mas que coloca na pauta do 1º de Maio este assunto da maior importância e urgência para a sociedade.

Serviço
Exposição de Maio na Paulista - A Quarta Revolução IndustrialIlustrações de Carla Caffé e Guto Lacaz
Data - de 09 de maio a 09 de junho
Local - Ciclovia da Av. Paulista (entre a Rua Augusta e Alameda Campinas)
Realização - UGT - União Geral dos Trabalhadores.

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